SALVADOR NEGROAMOR

SALVADOR FOCA ORGULHO E PROBLEMAS DE SEUS
AFRODESCENDENTES EM MEGAMOSTRA DE FOTOS A CÉU ABERTO

Dentre mais de 16 mil imagens, o fotógrafo Sérgio Guerra selecionou fotos que retratam afrodescendentes  em cenas do cotidiano e montou a exposição Salvador Negroamor, em cartaz nas ruas da cidade soteropolitana; iniciativa complementa-se com o lançamento de CD, portal na internet e  livro, que buscam valorizar a cultura negra.

Até 16 de fevereiro Salvador abriga a maior exposição a céu aberto já vista até hoje. São 1.501 painéis fotográficos de crianças, mulheres e homens negros, em cenas do cotidiano, que ocupam outdoors, backlights, painéis de grandes dimensões, fachadas de shopping centers, estações de transbordo, praças e paredões de casas e edifícios em toda cidade,  do centro à periferia soteropolitana. Os trabalhos são do fotógrafo Sérgio Guerra, com curadoria do artista plástico Alberto Pitta.
Trata-se da intervenção urbana Salvador Negroamor, uma grande instalação feita para criar um movimento que destaque e valorize a cultura dos afrodescendentes baianos. A iniciativa tem patrocínio da Petrobras.

As imagens retratam as verdadeiras raízes da Bahia sem os estereótipos que costumam ser valorizados. Salvador Negroamor propõe uma atitude cultural, social e de cidadania com objetivo de transpor a barreira do preconceito contra a população negra e mestiça. “O que se pretende é contribuir para a mudança de mentalidade para que a cidade assuma, com orgulho, sua afrodescendência”, diz Guerra, idealizador do movimento e coordenador geral da iniciativa, que se complementa com o lançamento de livro, ONG homônima, portal de internet e CD.

Criado há quase um ano com o envolvimento de diversos setores da sociedade e adesão de entidades negras, de organizações não-governamentais, da iniciativa privada e do governo, o trabalho da exposição é fruto das andanças de Guerra por bairros da periferia de Salvador. As imagens foram registradas em ruas, moradias, terreiros de candomblé e feiras livres, entre outros cenários que refletem a exclusão social. Guerra fotografou cerca de mil pessoas anônimas, lideranças religiosas e mestres da cultura popular, num total de 16 mil imagens. “Quero dar protagonismo a pessoas que a sociedade não quer enxergar”, afirma o fotógrafo.
“Chegou o momento de fazer uma releitura para mergulhar de maneira mais  profunda na identidade das pessoas que fazem a cidade. Salvador tem a capacidade de ser a grande capital da diáspora africana”, acredita Guerra.
O CD Salvador Negroamor é focado na temática negra. Tem a participação de músicos e cantores consagrados. Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jauperi, Lazzo, Maria Bethânia, Mateus Aleluia e Virgínia Rodrigues são alguns dos participantes. O portal na internet (www.salvadornegroamor.org), em fase final de produção, nasce com a proposta de ser um fórum dinâmico de discussão, de serviços e de ligação entre a África e a Bahia.
A preocupação com a justiça social faz parte da vida de Sérgio Guerra desde garoto, na convivência com o pai, João Guerra, ex-secretário da Fazenda no governo de Miguel Arraes e perseguido pela ditadura, e com a mãe, Conceição Garcia, ativa militante do movimento de defesa dos favelados. “Os efeitos da repressão reforçaram meus ideais”, diz Guerra. Aos 16 anos, com uma máquina fotográfica na mão e muitos sonhos na cabeça, este pernambucano iniciou uma vida andarilha até se fixar em Salvador e construir sua carreira na área de propaganda e marketing.  
Em Angola, produziu um dos maiores e mais importantes registros fotográficos sobre a população local nesta década. O acervo reúne 85 mil fotos. A partir dessa vivência, em 2005 surgiu a idéia de fazer a exposição Lá e cá – Um encontro de São Paulo com São Joaquim. “O projeto nos levou de volta a nossa origem africana e elevou a auto-estima daqueles cidadãos que mantêm viva uma das maiores riquezas sócio-antropológicas de Salvador: a feira de São Joaquim”, afirma Guerra. “Com o sucesso da exposição, percebi que era necessário e possível fazer algo que pudesse provocar reflexão na vida de uma cidade que não se conhece e não se reconhece nos seus semelhantes e nas suas diferenças sociais”.
Com Salvador Negroamor, o fotógrafo acredita ser possível sensibilizar o morador dos bairros nobres para o problema dos moradores dos bairros pobres, onde há esgoto a céu aberto na porta das casas, uma situação que Guerra define como um abismo social e econômico. “Em tempos de tanto e tão injustificado entusiasmo com a integração global, onde o Brasil se pretende contemporâneo do mundo, a desintegração local soa absurda, contraditória, irrefletida, irresponsável”, afirma ele.


Breve perfil de Sérgio Guerra

Baiano e angolano por opção, o publicitário, fotógrafo e produtor cultural Sérgio Guerra nasceu no Recife na década de 1960. Morou no Rio de Janeiro, onde iniciou carreira nas áreas de cinema e fotografia, e em São Paulo, local em que começou sua trajetória na publicidade, até se estabelecer em Salvador nos anos 80. Atuou na propaganda por mais de dez anos e, a partir de 1997, passou a viver entre Salvador e Luanda, convidado pelo governo de Angola para desenvolver um programa de comunicação para o país, que ainda se reestrutura depois de uma longa guerra civil.
Em suas constantes viagens pelo país africano, Guerra tornou-se um dos raros fotógrafos estrangeiros a registrar todas as 18 províncias angolanas
.
Com um acervo de 85 mil fotos espalhadas mundo afora, o artista é autor de cinco livros de fotografias e conta com três grandes exposições fotográficas em seu currículo: As muitas faces de Angola e Nação Coragem, que percorreram várias capitais brasileiras além de Angola, e Lá e cá – Um encontro de São Paulo com São Joaquim,resultado de suas lentes apontadas para dois dos mais populosos mercados livres de Angola e do Brasil. Com o sucesso da exposição, Guerra percebeu que era necessário e possível fazer algo que pudesse provocar reflexão na vida de uma cidade.



   
Ouça aqui a música "Salvador negroamor"


 

 

 

Serviço:
Lançamento da exposição Salvador Negroamor


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